terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"O mar engana".

Estávamos, eu com toda a família "Milton Barbosa", mais alguns primos e amigos em nossa casa de praia em Ilha Comprida. Eram as férias de julho de 1973. Um frio de deixar qualquer pinguim congelado, fora a chuva que não dava trégua.
Como não havia quase nada para se fazer, a não ser comer e beber, resolvemos fazer uma noite de queijo e vinho. O Miltinho foi escalado para ir até a cidade de Iguape procurar pelas "iguarias". Para não ir sozinho, convidou o "tio" Ivo Scarabucci (irmão da tia Diva) para acompanhá-l0. Convite aceito de imediato, lá foram eles, por volta das 14:30hs.
Ficamos em casa fazendo churrasco, cantando e tocando violão por horas, quando percebemos, já era noite. Começamos a ficar preocupados pois nada da "dupla" retornar. Naquela época não havia qualquer tipo de comunicação entre a ilha e o continente, a não ser uma balsa que funcionava de hora em hora.
Em virtude da temperatura, que já devia ser de uns 10ºC, fomos para dentro da casa e começamos a dançar ao som do Trio Irakitam, na vitrola Philco da (mãe) Clarinda. Virou o maior baile.
Quando estávamos no auge, entraram os dois na maior "alegria", rindo à toa, cantando e dançando e com apenas uma garrafa de vinho.
A explicação dada foi que eles ficaram presos na balsa, por causa da neblina. Obviamente, como estava muito frio, resolveram tomar algumas caipirinhas.
O "tio" Ivo deu o maior show de dança. Pegou uma vassoura, colocou uma toalha na ponta e deu pra uma empregada da tia Cecília dançar, dizendo que ela era porta-bandeira e ele o mestre-sala.
Entramos madrugada a dentro.
Na hora de recolhermos para nossos aposentos, tentamos convencer o "tio" Ivo para dormir em casa, pois ele estava hospedado no Hotel Buenos Aires, que ficava longe, acho que uns 2 km à direita, pela praia. Não havia rua.
Sem que alguem notasse, ligou seu Corcel "GT" e se mandou. Quando demos conta do acontecido, saimos correndo em direção à praia. Não deu outra. Lá estava o carro, literalmente dentro d'água. Em vez de virar à direita na praia, seguiu reto em direção ao mar.
Chegando ao lado do carro, percebi que a água já batia na altura da porta. Pedi ao "tio" que descesse pois estava muito perigoso. Sem qualquer alteração e com a maior pinta de "lord" me disse: "-Oh companheiro! Esse mocassin é branco e eu comprei recentemente, vai estragar". Juro que ele não queria descer pra não estragar os sapatos. Foi retirado no colo.
Aí veio a parte mais complicada. Rebocar o carro para fora do mar. Graças ao tio Ataliba que chamou seu amigo Zé Pacau e juntos, com ajuda de um trator, completaram a operação resgate. Detalhe, quem entrou debaixo do carro para amarrar as cordas, na água congelante foi o tio Ataliba.
Assistindo a tudo, no barranco, como se nada tivesse acontecido e na maior calma do mundo o único comentário que o "tio" Ivo fez foi: "Como esse mar engana".
Saudades "tio" Ivo Scarabucci.

3 comentários:

  1. Muito boa! Bom lembrar da saudosa ilha comprida e do saudoso tio Ivo.

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  2. Ai que saudades que dá!
    Da família,da Ilha e do doce Tio Ivo tão importante na minha vida!

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